sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Resumo de Olhos d'água (parte 1)

Olhos d’água (de Conceição Evaristo)

Olhos d’água é um livro de contos (são quinze contos no total) bem oportunos para o momento: refletem sobre a pobreza, a miséria, a desigualdade social, a violência e a vida de mulheres, negros, favelados e outras diversas personagens envolvidas nesses contextos em dilemas sobre o amor, a vida e a ancestralidade africana. Tudo isso muito conectado com a vivência da própria autora: Conceição Evaristo é uma mulher negra de pais desconhecidos que nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte e que lutou muito desde cedo para chegar onde chegou- dividia sua juventude entre o trabalho como empregada doméstica e os estudos, conseguindo concluir o curso normal somente aos 25 anos. Mudou-se para o Rio onde foi aprovada em um concurso público para magistério e estudou letras na UFRJ.
Hoje ela é “apenas” professora da UFMG, Mestra em Literatura Brasileira pela PUC do Rio, Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense e escritora de grade renome, iniciando suas obras desde 1990. Seu livro mais famoso, Ponciá Vicêncio (2003), chegou a ser traduzido e publicado nos Estados Unidos em 2007, e também reflete, assim como “Olhos d’água” sobre a discriminação racial, de gênero e de classe.
Bem, vamos aos contos!

Olhos d’água

O primeiro conto recebe o título do livro.
É narrado em primeira pessoa, em um relato pessoal e emocionado de uma personagem feminina e negra (sem revelar seu nome) que se encontra tentando lembrar qual a cor dos olhos de sua mãe.

“E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de tom acusativo. Então eu não sabia de que cor eram os olhos da minha mãe?”

A personagem recorre aos tempos de sua infância, onde ela e as sete irmãs enfrentavam grandes dificuldades, vivendo em uma favela, com alimentação escassa, temendo que a chuva derrubasse o frágil barranco onde viviam com a mãe passadeira e lavadeira de roupas. Entretanto, em meio a vida difícil que levavam, a mãe sempre inventava brincadeiras que faziam com que as meninas se esquecessem da fome e da dura realidade em que viviam.
Diante dos constantes prantos que caiam dos olhos da mãe que tinha consciência da vida difícil que vivia com suas filhas, a menina compara as lágrimas dos olhos da mãe com a chuva.     

Seus olhos se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então por que eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?”


A personagem cresce e deixa sua casa em busca de melhores condições de vida e alcança seu intento. Deixa claro, no entanto, que nunca há de esquecer sua mãe e seus ancestrais africanos por reconhecer a importância que têm em sua vida e sua formação.

“(...) Eu entoava cantos de louvor a todas nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não esqueço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tanta sabedoria.”

Em seu dilema sobre as memórias da infância, resolve retornar por um dia para finalmente rever sua mãe e descobrir qual a esquecida cor de seus olhos.
Ao chegar em sua antiga casa e reencontrar sua mãe, a velha se emociona e cai novamente em prantos e prantos, de onde a personagem tira a conclusão de que a cor dos olhos de sua mãe “era a cor de olhos d’água”.
Obviamente essas “águas” representam o pranto contínuo, dado todo o sofrimento enfrentado pela personagem em sua realidade social.

“E só então compreendi. Minha mãe trazia, serenamente em si, águas correntezas. Por isso prantos e prantos a enfeitar seu rosto. A cor dos olhos de minha mãe eram cor de olhos d’água. Águas de Mamãe Oxum! Rios calmos, mas profundos e enganosos para quem contempla a vida apenas pela superfície. Sim, águas de Mamãe Oxum!”  




Ana Davenga

O conto de Ana Davenga é narrado em terceira pessoa, narrador onisciente.
Mais uma vez temos a história de uma mulher negras, habitante de uma favela.
A história começa quando uma festa de samba se inicia no “barraco” de Ana Davenga, que desesperadamente procura a seu marido com seu olhar, mas não o encontra de início, ficando imensamente preocupada com seu paradeiro.
Ana era esposa de Davenga, chefe de uma milícia criminosa que fazia “reuniões” com seus comparsas dentro de sua casa. Ela começa a se lembrar que as vezes seu marido desaparecia por dias ou até mesmo semanas, até que um dia então retornava, são e salvo. Era parte de seu trabalho e talvez hoje ele tivesse dado mais um desses “sumiços”.
Ana também começa a se lembrar do início de seu relacionamento com o homem e o segredo que guarda do seu marido “aparentemente bruto”: Davenga chorava quando fazia sexo.

“Davenga que era tão grande, tão forte, tinha o prazer banhado em lágrimas. Chorava feito criança. Soluçava, umedecia seus corpos com as lágrimas de Davenga. E todas as vezes que ela via seu homem em seu gozo-pranto, sentia uma dor imensa”.


Ana se lembra de que aqueles homens que agora dançavam samba em seu barraco, antes não gostavam dela, já que ela era protegida de Davenga e sabia a todos os segredos da milícia.
O narrador retorna ao primeiro dia em que Davenga conhece Ana, durante uma festa de samba. Ele havia acabado de assaltar a um deputado e o narrador revela que o criminoso tinha prazer em ver a cara de desespero de suas vítimas e só por isso assaltou o moço.
Davenga paga uma bebida para a Ana e logo em seguida a leva para sua casa de onde ela nunca mais se foi.  Com o tempo a moça decide adotar o nome do marido e se torna Ana Davenga.
O narrador também revela que antes de Ana, Davenga namorou uma moça evangélica, filha de um pastor e fanática pelos cultos da bíblia, de nome Maria Agonia. Porém ele queria se casar com a moça, que não aceitou seu pedido, temendo dos perigos da vida criminosa de Davenga. Revoltado, matou a moça com vários tiros e revelou que não desejava uma mulher apenas para diversão, mas para construir uma família ao lado dela.
O tempo passou, Davenga chegou na festa e Ana finalmente percebeu que não se tratava de um samba, mas de um aniversário surpresa para ela.
A festa acabou e Ana e seu marido foram para o quarto, quando de repente policiais invadiram o barraco e deram voto de prisão para Davenga que estava nu. Os policiais permitiram que ele se vestisse e foi quando Davenga se lembrou que tinha uma arma escondida em sua camisa.
Sob o pretexto de que ia vestir a camisa, sacou a arma e tanto ele quanto a mulher foram mortos a tiros.
Então o narrador revela que durante o tiroteio Ana tentava proteger sua barriga: ela estava grávida e morrera ali, junto consigo, o sonho de florir a vida que a fecundava.

Duzu-Querença

Narrador onisciente em terceira pessoa.
A história começa revelando que Duzu era agora uma mendiga enlouquecida, que acreditava poder voar. Mas nem sempre foi assim.
Duzu chegou na cidade com sua família quando ainda era menina. O sonho do pai, Zé Nogueira, era que a menina fosse educada e tivesse um grande futuro. Para isso, confiou a educação dela à Dona Esmeraldina, que prometeu dar um emprego para menina, enquanto ela continuaria estudando. A família deixou a menina lá acreditando em tal promessa. Mas isso não era verdade e Duzu nunca recebeu educação, apenas trabalhava limpando lavando e secando para “as moças” da Dona Esmeraldina. O que Duzu não sabia era que onde trabalhava, na verdade era um prostíbulo.

“Era uma casa grande com muitos quartos. Nos quartos moravam mulheres que Duzu achava muito bonitas. Ela gostava de ficar olhando para os rostos delas. Elas passavam muitas coisas no rosto e na boca. Ficavam mais bonitas ainda. (...) A senhora tinha explicado a Duzu que batesse nas portas sempre. Batesse forte e esperasse um “pode entrar”. Um dia Duzu esqueceu de bater na porta e foi entrando. A moça do quarto estava dormindo. Em cima dela dormia um homem.”  


Conforme foi crescendo, Duzu entendeu a situação e começou a gostar de “entrar sem bater” nos quartos. Um dia, ao “entrar-entrando”, foi acariciada por um dos clientes das moças, que a deu uma nota de dinheiro de alto valor. Passou dias procurando por tal homem e quando o encontrou se prostituiu pela primeira vez, sem nem saber o que estava fazendo.
Duzu então começou a ganhar dinheiro pela prostituição, mas só entendeu que havia se tornado uma prostituta quando Dona Esmeraldina passou a cobrar uma parte do dinheiro que ela ganhava, já que a casa dos quartos era dela.
Duzu teve muitos fregueses e criou fama.   
Viveu em muitos prostíbulos e levou a difícil vida da prostituição por muitos e muitos anos, presenciando violência, exploração, drogas e assassinatos.
Teve nove filhos e alguns netos.
Dos seus netos, Tático e a menina Querença eram seus favoritos.
Já idosa, começou a enlouquecer depois que Tático morreu aos treze anos. Começou a relembrar as fantasias de faz-de-conta da infância e as lembranças começaram a se confundir com a realidade. Fez uma fantasia de carnaval com restos de lixo e se imaginou na “ala das baianas” quando caiu sobre a escadaria da igreja e morreu.
A história termina com reflexões da neta Querença, após descobrir da morte de sua vó, desejando uma vida melhor para si.



12 comentários:

  1. Ótimo resumo! Histórias interessantes. Parabéns!

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  2. Ótimo resumo! Histórias interessantes. Parabéns!

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  3. obrigada pelo resumo! ajudou bastante! :)

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Muito Bem feito, e os autros contos?

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  6. Resumos maravilhosos, me deu vontade de ler o livro por completo.

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